desculpe, mas isto é uma festa privada

não tem cartão de militante do pcp ou do be, não entra!

A crise (económica) deve estar a dar as últimas

Durante vários meses apenas ouvíamos falar em empresas que fechavam, trabalhadores que iam para a rua e países que estavam na bancarrota. Impulsionados pela ‘obamamania’ não havia lugar para nada mais, a não ser as notícias da crise e as primeiras medidas do novo ocupante da Casa Branca.

Contudo, agora já vamos conversando sobre outras coisas. E nem todas têm a ver com a vergonha lagarta em Munique. Nem com o Freeport. Já vamos discutindo coisas bem sérias como um eventual desentendimento militar entre o Japão e a Coreia do Norte.

Os norte-coreanos querem lançar um satélite. Os japoneses não querem o satélite no ar. A insegurança do Japão tem alguma razão de ser: os EUA e a Coreia do Sul temem que em vez de um satélite, aquilo que a Coreia do Norte quer mandar para o ar um míssil de longo alcance.

O Japão não quer nem uma, nem a outra coisa a sobrevoar o seu espaço aéreo e já revelou que tem condições e legitimidade para mandar o satélite/míssil abaixo, de modo a que o aparelho caia em segurança no território nipónico.

Com a estabilização dos primeiros indicadores económicos – ainda ontem foram anunciados resultados positivos no sector do retalho nos EUA – os governos internacionais começam a preocupar-se com outras coisas que não a recuperação económica, principalmente aqueles que nunca se preocuparam muito com ela, como a Coreia do Norte.

A última coisa de que Obama e o Ocidente precisam é de um novo foco de tensão a juntar-se ao Médio Oriente, onde a questão palestiniana por um lado, e o Iraque/Afeganistão por outro já são dores de cabeça a mais. Cabe agora a palavra à ONU no sentido de dissuadir Pyongyang de mandar o que quer que seja para o espaço.

É que o Japão já avisou: “Não interessa o que lhe chamam, um satélite ou o que for, é uma violação da Resolução do Conselho de Segurança da ONU. Devemos levar a cabo um forte protesto junto da ONU e exigir que seja cancelado”. E se a ONU não o cancelar, Tóquio vai tratar disso. E depois o Kim Jong trata do resto.

Um tipo diz o que lhe apetecer

Fim de um dia de trabalho e tive o enorme prazer de ler a crónica da Esther Mucznik no público.  Há coisas que nunca vou perceber, uma delas é citar-se Fukuyama (há tipos que por previsões bem menos parvas, foram rasurados de qualquer espaço público, mesmo por acção de outros).

Outra coisa que me causa particular azia é ver a cronista falar da imoralidade da promoção da democracia pela força… (para ser rigoros, confesso que não sei a posição dela em 2003, mas eles desapareceram todos ). Mas partindo para o que interessa, a coisa começa no tom laudatório do costume sempre que se lê Obama e a reacção não se faz esperar,provoca todo aquele sortido de náuseas, diarreia e suores frios associado ao estilo, para depois partir para uma crítica subtil à política do homem, demasiado pragmática. Já a cronista não é nada pragmática e prima pela sua aversão a relativismos culturais de qualquer espécie. Já os temporais, tem dias…e por isso, ainda agora encontrei  um artigo de 2003, se não estou em erro, em que dizia que a Paz seria impossível com Arafat. Agora é impossível com o Hamas… Ora, como sou boa pessoa acredito que a cronista conheça alguém que permita a paz. Já tenho mais algumas dúvidas que Paz signifique um Estado Palestiniano…

Recauchutada, a imoralidade da imposição da democracia pela força deve ser lida de forma muito, muito rígida… demover a democracia pela força já não faz parte do cardápio da imoralidade.

Estocada final, os apoios internacionais para a reconstução da faixa de gaza são imorais porquanto carecem de reciprocidade. O que favorece o Hamas mas devia favorecer a Fatah. Em primeiro lugar, nunca pensei ouvir a cronista clamar por uns quantos balázios teleguiados na terra santa, em segundo, a moralidade desta pia dama incluía deixar os palestinianos de Gaza esfaimados, para depois votarem com a cabeça (ou com a barriga, ou com os pés, tanto faz).

Ah, muito me encanta tamanha moralidade

Entre a estupidez e a hipocrisia

A decisão do Bloco de Esquerda de não estar presente na recepção ao Chefe de Estado de Angola é estúpida e oportunista. Estúpida porque um golpe na lógica interna do Bloco. E não vou respingar com mais estupidez, recorrendo a muhajedins e afins. É estúpida pelo simples e prosaico motivo que consiste no facto de o Bloco ser, na maioria dos casos e na articulação do seu discuros, apologista do respeito pela soberania interna dos Estados. E isto é bem mais do que um conceito fechado: essa defesa da soberania permitiu ao BE constestar a intervenção da OTAN no Kosovo ou mesmo as sanções ao Iraque. Pegamos no exemplo de Angola e pensamos, qual a será a política externa que o BE advoga. Não estando presente, o Bloco diz que se estivesse no governo não receberia José Eduardo dos Santos. Das duas uma: ou cortaria relações diplomáticas com Angola e defenderia sanções, quiçá o direito de ingerência humanitário ou encontrou aqui um expediente que permite dar ares da sua intransigência quanto ao conceito de democracia, e eu não acredito nisso como já aqui disse algumas vezes.

Chegamos assim ao segundo ponto: a malta de direita que gosta de falar da China, da Coreia do Norte e que até há uns anos gostava de falar de “afro-estalinismo” (conceito idiota, de todo) agora reage atacando o Bloco mas não se livra da sua dose de cinismo. Senão vejamos, entre Angola e a Venezuela, penso que ninguém tem grandes dúvidas quanto às credenciais democráticas de cada um… lá está a pequena diferença, pedra do sapato dos democratas mais estridentes, Angola foge do socialismo a Venezuela diz que corre para lá. E business as usual…

Ironia é acompanhamento para qualquer prato

Aposto que a Joana Amaral Dias o Francisco Louçã já está a meter os papeis, no Ministério dos Negócios Estrangeiros, para adoptar estes rapazotes como mascotes do BE.

Alegre deve gostar de caçar por aqueles lados.

A Democracia é uma coisa linda

No blogue onde a democracia é rainha, espaço para uma notícia onde um autarca ameaça fazer-se rei. Falo de José Pinto dos Santos, o presidente da Câmara de Tabuaço e que parece saído de um qualquer romance de Camilo ou de Eça – não sou eu quem o diz. É o jornalista do Público.

Bem, o senhor diz que em quase cem anos de República – eu teria dito “quase cem anos depois da revolução republicana” – não se construiu nem um metro de estrada novo no seu concelho. Indigando pelo facto, Pinto dos Santos admite desfilar pelas ruas de Tabuaço com uma bandeira da monarquia e uma coroa num gesto de “agradecimento” por tudo aquilo que el-Rei deu ao território. A república, diz, não fez nada em Tabuaço.

Democracia também é isto. Dar tempo de antena a um senhor sem grande importância e dar eco aos seus disparates. Mais, democracia é também permitir o descontentamento público e dar um grande margem para a estupidez própria dos homens pequenos. Democracia é um pouco isto tudo. Permitir que um “Jacinto” possa vir a público dizer que a República não presta. É por isso que a democracia é uma coisa linda.

Estado Social

Ontem dediquei algum tempo a lançar postas de pescada sobre o Estado Social.

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