da pobreza de espírito

(…)

O Plano Nacional de Acção para a Inclusão [PNAI], em 2001, estabelecia como meta a erradicação da pobreza infantil até 2010. O de 2006 já não define metas. Não faltam objectivos concretos?

Há alguma ineficiência nas políticas sociais. O PNAI, que deveria ser um instrumento-chave no combate e na erradicação da pobreza, apresenta várias deficiências na fundamentação, na análise do problema e um grande défice de objectivos concretos e instrumentos adequados.

Falta um partido para dar voz aos pobres?…

Não é disso que se trata. A pobreza é uma realidade complexa e com muitos rostos. Seria importante dar oportunidade aos pobres de participarem – nas autarquias, nos vários partidos…

Mas há outros aspectos: as pessoas que se encontram em escassez alimentar, luta pela sobrevivência, habitação precária, falta de recursos para tratar da saúde, não têm muita disponibilidade para a sua participação cívica e democrática. Não é demais sublinhar que a pobreza afecta os pobres, mas também a qualidade da democracia.

Que papel fica para a sociedade civil?

A erradicação da pobreza devia ser um ponto obrigatório da agenda dessas redes sociais. A Igreja tem uma tradição de instituições que se têm ocupado da prestação de cuidados aos mais pobres. É chegada a hora de integrar a dimensão de que a pobreza é uma violação de direitos humanos.

Há necessidade de as organizações se assumirem como provedores dos empobrecidos, dando voz aos pobres nas instituições e fazendo-se eco dos pobres junto dos poderes públicos. Isto pode representar uma revolução no nosso país.

Então o que fazem neste momento? Simplesmente tratam?

Pior que isso: reproduzem formas assistencialistas, necessárias, mas nunca deveriam perder de vista a preocupação de dotar os empobrecidos de capacidade de autonomia.

(…)

Manuela Silva, economista, presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz. Aqui.

    • Rui Passos Rocha
    • 15 de Dezembro, 2008

    Tudo isto é bonito, mas até que ponto colaborariam (com a sua “voz”) os pobres nas instituições?

    • PR
    • 15 de Dezembro, 2008

    O blogue está catita mas o template é intragável. Não se arranja nada melhorzinho?

    • Rui Passos Rocha
    • 15 de Dezembro, 2008

    Não estendas um maço de tabaco ao fumador… Eh pá, este foi o único template de que os três gostaram.

    • João Martinho
    • 15 de Dezembro, 2008

    Rui,

    Não percebi se perguntas pelos limites da hipotética colaboração ou pela vontade que os pobres têm de colaborar nas instituições.

    • Rui Passos Rocha
    • 15 de Dezembro, 2008

    Questiono a vontade de colaborarem. Não a que eventualmente digam ter; mas a que mostrem ter.

    • João Martinho
    • 15 de Dezembro, 2008

    E questionas bem, então.

    De facto, é perigoso especularmos sobre coisas que não sabemos, mas a questão aqui é a necessidade de transformar os beneficiários em agentes.

    Poderá ser difícil de pôr em prática, mas têm de ser testados novos modelos; solidariedade sustentável.

    • Rui Passos Rocha
    • 15 de Dezembro, 2008

    «A questão aqui é a necessidade de transformar os beneficiários em agentes»
    Concordo, em abstracto.

  1. 15 de Dezembro, 2008
    Trackback from : Os banqueiros « Sinecura

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: