Onde a esquerda vê injustiça

A Grécia está a crescer a 3,3%, o dobro da Zona Euro (1,6%) e mais do triplo de Portugal. O desemprego, ao nível do nosso, desceu acentuadamente nos últimos quatro anos. Apesar da desaceleração, a Comissão não prevê uma recessão grega em 2009. Esta relativa prosperidade é causa dos desacatos. Já em Maio de 1968, a França crescia acima dos 5%, nível que nunca voltou a atingir. Pelo contrário, quem vive dificuldades tem mais que fazer do que manifestar-se.

Os atentados brutais e criminosos da Grécia não podem ser uma reacção às condições económicas. Queimar automóveis, partir montras, saquear lojas e agredir polícias é muito pior para a crise que qualquer derrocada financeira internacional. O problema não se coloca a esse nível. Para acontecerem os tumultos gregos, mais que descontentamento ocasional, são necessários dois elementos principais.

O primeiro é uma desilusão profunda e recalcada, desconfiança latente e generalizada, raiva surda e intensa. […] O segundo elemento, indispensável para passar dos sentimentos e palavras aos actos, é uma liderança clara. O que começa espontaneamente só permanece se for planeado. Tal orientação, conseguida na Grécia pelo antigo e poderoso movimento anarquista, ainda falta por cá. Em Portugal até os extremistas são boas pessoas.

João César das Neves, no Diário de Notícias
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