From Gaza

Os bem intencionados líderes internacionais pedem a Israel que se sente à mesa com o Hamas. Israel recusa. Porquê? Porque o Hamas é uma organização terrorista e o Governo de Israel representa um Estado democrático. A resposta inversa de Olmert e companhia faria algum sentido? Colocar o governo de um Estado soberano em plano de igualdade com uma organização terrorista é a forma adequada para pôr fim aos conflitos em Gaza? Decididamente, não é.

  • Trackback are closed
  • Comentários (6)
  1. É uma questão de perspectiva: se Israel desse à Palestina a possibilidade de se constituir como Estado, o Hamas passaria a ser o partido governante de um Estado democrático.

  2. Não é bem assim. O Hamas – não confundir com a Autoridade Palestiniana ou a Fatah – é uma organização internacionalmente catalogada como sendo terrorista.

    Quer isto dizer que é a própria comunidade internacional que olha para o Hamas e vê terroristas. E querem que o governo de Israel se sente à mesa com eles?

  3. Temos que perguntar a Mário Soares o que pensa do assunto. Afinal, era ele que queria negociar com o Bin Laden.

    • José Pedro Monteiro
    • 12 de Janeiro, 2009

    Meus caros

    Um pequeno preciosismo, na sequência do alerta que o Rui faz: se não se pode aceitar a negociação entre um grupo terrorista e um governo democrático de um Estado de Direito, surgem-me algumas questões:
    – Então por que raio exige Israel que o Hamas reconheça o Estado de Israel? Não faz sentido, da mesma forma que o PS não reconhece o Estado Boliviano, antes o Estado português…
    – O hamas foi eleito legitimamente nas primeiras eleições livres no mundo árabe, daqui decorre que é o representante legítimo dos palestinianos. A negociação internacional não deve estar dependente do tipo de regime que vigora num Estado Soberano, princípio basilar do DIP. A quantidade de Estados que pratica actos de terrorismo de Estado e que não é apartado das negociações… e bem…
    – Phillipe, é ingénuo achar que o problema é ser o Hamas e não a Fatah. Há 20 anos, o problema era o mesmo, só os actores é que trocavam de papeis…enfim, dividir para reinar…
    – A inexistência de um Estado Palestiniano torna toda esta discussão torta desde a génese…não estamos a falar de iguais…e convinha assacar responsabilidades aí…

  4. Zé,

    Creio não estar errado se disser que o estatuto político do Hamas equipara-se ao das FARC, aos olhos da comunidade internacional. É a esses “olhos” que devemos julgar o que foi feito e o que fazer no futuro. Nesse sentido o que escreves (que «não se pode aceitar a negociação entre um grupo terrorista e um governo democrático de um Estado de Direito») faz todo o sentido.

    «O hamas foi eleito legitimamente nas primeiras eleições livres no mundo árabe, daqui decorre que é o representante legítimo dos palestinianos. A negociação internacional não deve estar dependente do tipo de regime que vigora num Estado Soberano, princípio basilar do DIP. A quantidade de Estados que pratica actos de terrorismo de Estado e que não é apartado das negociações…»

    Se Os Coxos (a minha equipa de futsal) forem eleitos líderes da região separatista de Miranda do Corvo isso não significa que Portugal deva negociar com eles. Independentemente dos regimes políticos, como dizes, a questão é que Os Coxos não seriam os líderes políticos de um Estado reconhecido internacionalmente. A Palestina não o é.

    «A inexistência de um Estado Palestiniano torna toda esta discussão torta desde a génese…não estamos a falar de iguais…e convinha assacar responsabilidades aí…»

    Quanto a isto e ao restante, de acordo. Mas esta é outra história.

  5. Naturalmente, todo este debate está condicionado desde logo pelo simples facto de não existir um Estado Palestiniano. Logo, colocar um Estado legítimo a negociar com um “pedaço” de terreno vizinho torna-se numa ideia, no mínimo, confusa e pouco eficiente.

    Mais ainda quando em confronto estão Israel e o Hamas. É verdade que há 20 anos atrás, era a Fatah o grande rival de Israel. E, talvez pelo ódio aos iraelitas tenha conseguido prolongar-se tanto tempo no poder. Até que perdeu as eleições para o Hamas.

    A questão é que olhando para a realidade internacional de hoje, vemos que o Hamas é a organização terrorista e a Fatah o “partido tolerante” palestiniano – a Autoridade Palestiniana será qualquer coisa mais híbrida, que convirá esmiuçar noutra altura.

    Na mesma medida em que os EUA apoiaram os Talibãs, quando estes eram resistentes face ao opressor soviético e, 20 anos volvidos, mais coisa menos coisa, tornaram-se inimigos de Estado. A política tem coisas destas, elegemos para parceiro quem mais nos interessa hoje. Não amanhã.

    Por isso, Israel apresenta o seu argumento: nós, enquanto governo de um Estado livre e democrático, não nos vamos sentar à mesa com uma organização que é vista aos olhos da comunidade internacional como terrorista. Por muitos palestinianos que tenham votado ‘Hamas’, esta não deixou de estar ligada a atentados terroristas e de ser próxima do Hezbollah – apenas para citar o outro grande inimigo israelita.

    Porém, em toda esta argumentação há uma falha: de facto, por que isiste Israel em que o Hamas reconheça a sua independência? Será porque o Hamas é o tal partido ‘eleito’ democraticamente e líder da Palestina? Ou será que Israel pretende uma espécie de vitória diplomática sobre a organização?

    Porém, depois de tantos anos de confrontos, começa a tornar-se complicado perceber quem é que nunca mudou de posição e manteve sempre os mesmo aliados.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: