De que lado?

De que lado ficamos, tendo em conta que defender o fim dos ataques israelitas ao Hamas favorece a vitimização do grupo palestiniano, fá-lo capitalizar em eleições próximas e uma nova trégua permite-lhe reagrupar e reabastecer-se militarmente, como terá acontecido antes desta guerra?

  • Israel está a bombardear alvos definidos como locais de actividade do Hamas; o Hamas bombardeia discricionariamente as terras israelitas na fronteira.
  • Israel mata alvos civis palestinianos como danos colaterais; o Hamas mata alvos civis israelitas intencionalmente.
  • Se Israel tivesse uma arma perfeita que, apontada aos tais alvos definidos, apenas matasse os alvos do Hamas usaria-a apenas sobre eles e manteria vivos os civis palestinianos; se o Hamas a tivesse usaria-a também para matar civis israelitas.
  • Dos sete milhões de cidadãos israelitas, um milhão é palestiniano. A convivência é relativamente pacífica e esse milhão de palestinianos não foi coagido a ir viver em Israel.
  • Num Estado palestiniano governado pelo Hamas não entrariam judeus sem o risco de serem executados.
  • Israel quer que a Fatah regresse ao poder (parece que, se fossem hoje as eleições, a Fatah ganharia com larga vantagem sobre o Hamas, apesar dos fortes indícios de corrupção na Autoridade Palestiniana) para poder negociar um acordo pacificamente; o Hamas não só não quer a Fatah no poder como já a expulsou de Gaza e mata militantes seus.
  • Israel está disposta a negociar a partilha de Jerusalém, a prazo, com um Estado palestiniano constituído (para isso será preponderante o desfecho nas eleições para Jerusalém, em que deverá ganhar um candidato que quer expulsar os árabes); o Hamas quer eliminar Israel do mapa, abomina os judeus e atribui-lhes uma série de teorias da conspiração que circulam sobretudo nos países árabes
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  • Comentários (2)
  1. Sem dúvida que tens toda a razão.

    Sem dúvida do lado da força militar que selecciona os seus alvos e só por manifesto azar assassina sem escrúpulos quase três centenas de crianças.

    Sem dúvida ao lado da máquina democrática que sempre esteve empenhada em defender os direitos dos palestinianos e, por manifesta infelicidade, viu essa vontade ser interrompida pelas ascenção do Hamas.

    Sem dúvida do lado do Estado exemplar, com o 4º exército mais poderoso do mundo, que se defende de forma exemplar do milhão e meio de pessoas aprisionadas numa área do tamanho do Algarve – perigosíssimas – que são más, só vivem em Gaza porque assim o querem.

    Sobretudo,
    e sem dúvida, do Lado do Estado que nos lembra a diferença entre um crime e um massacre.

    Não tenho paciência para argumentar com tanta insensibilidade.

    Uma coisa é reagir e estar contra um movimento que ameaça a segurança de uma população (entenda-se: rockets, israel),
    outra é usar esses argumentos para, com todo o prazer do mundo, legitimar uma verdadeira chacina sem sentido nem critério.

    Mais humanidade e menos politiquice é o que sugiro.

  2. Sílvio,

    Antes da ofensiva israelita surgiram notícias de que o Hamas aproveitara a trégua para receber armas provenientes do Irão e do Líbano. Aliás, a ligação do Hamas ao Hezbollah está mais que provada nos bombardeamentos recentes do Hezbollah, já após ter iniciado a ofensiva israelita.

    A questão é que, findas as tréguas (por iniciativa do Hamas), tudo regressaria ao normal, com lançamento de rockets pelo Hamas, respostas de Israel, contraofensivas dos dois lados, etc.

    A esquerda portuguesa (como a europeia) quer o fim dos ataques israelitas mas também deplora os comportamentos do Hamas. É mais ou menos o mesmo que pediu ao Zapatero em relação à ETA: que a deixasse estar no seu canto, que apenas respondesse quando a ETA “se” fizesse explodir, que negociasse com a ETA.

    O Zapatero negociou e a ETA rasgou os acordos. O Zapatero endureceu as posições do Governo face à ETA e está a desmantelá-la. Agora que a Espanha está mais pacífica e que o Zapatero capitalizou com o endurecimento “à direita”, a esquerda não fala.

    É claro que 300 crianças mortas é muito. É demais. E torna-se um fardo sobre o povo judeu, como muito bem é argumentado neste texto. E a diferença é precisamente essa: Israel responde internacionalmente pelo mal que faz (veja-se a quantidade de manifestações contra as atrocidades), o Hamas não. Mesmo que mate um civil judeu como mataria um militar. Porque para o Hamas ambos são iguais.

    E nesta guerra o mais importante é precisamente distinguir entre as mortes intencionais de civis e as mortes colaterais de civis. Em Gaza a concentração populacional é a maior do mundo. Se não poderia matar civis palestinianos, Israel não poderia responder aos ataques e às provocações do Hamas. Ou há um número de mortos palestinianos a partir do qual um ataque israelita passa de legítimo a atroz?

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