PS e PSD

Merece nota a crónica de anteontem de Rui Ramos (um comentarista de primeira que agora está num jornal de segunda) segundo a qual PS e PSD, com a aproximação das eleições legislativas, estão a polarizar-se. Aquele defende com unhas e dentes o aumento da despesa e do investimento públicos, este quer um emagrecimento do Estado e uma baixa de impostos. Um outro aspecto relevante, que o cronista não aborda, é que o que até agora sobressai é que nenhum de ambos se demarca das políticas keynesianas generalizadas no Ocidente. Isto é, o PSD, apesar de querer folgar a actividade económica por meio de uma diminuição de impostos, não se demarcou ainda do planeamento económico que prevê a atribuição de dinheiro estatal directamente aos consumidores, que supostamente em seguida beneficiarão toda a economia ao consumirem mais. O PSD parece-me, assim, estar a afastar-se do PS por motivos conjunturais e não ideológicos. A social-democracia é comum a ambos os partidos. Embora menos que o PS, o PSD desconfia do funcionamento da economia de mercado e não seria substancialmente diferente do PS se tivesse estado no poder aquando do eclodir da crise financeira. O mais triste de tudo é que cada vez mais emergente como alternativa ao PS, que responsabiliza o capitalismo pelos problemas do país e do mundo, é o anti-capitalismo do Bloco de Esquerda e do PCP.

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