Pedro Passos Coelho

O Luís Tribuna e o Bruno Alves d’ O Insurgente colocam aqui e aqui pontos interessantes sobre as declarações que Pedro Passos Coelho fez a propósito do TGV e do IRS. O putativo candidato a próximo dirigente do PSD demarcou-se convenientemente de Manuela Ferreira Leite dizendo que não faz sentido baixar os impostos uma vez que a despesa pública é muito elevada:

À primeira dificuldade, o défice volta a estar presente porque a despesa pública é muito elevada, o que significa que vamos ter de ter receita fiscal a cobrir essa despesa. Ora, que sentido é que faria estar agora a descer o IRS para dizer: nós vamos depois das eleições aumentar outra vez o IRS?

O raciocínio é o inverso do que seria expectável de um suposto liberal: não é que os impostos devem manter-se porque a despesa pública é grande; é que a despesa pública deve ser reduzida para se poder baixar os impostos. Na troca de argumentos dos dois bloggers d’ O Insurgente Bruno Alves refere isso mesmo:

Se o Governo não quer baixar a despesa, não vai baixar os impostos para baixar a despesa; pode baixar os impostos por outras razões, mas estará apenas a criar um défice nas contas públicas, e a aumentar o endividamento. Se quiser baixar a despesa, baixa-a, não precisa de cortar os impostos para ser “obrigado” a fazê-lo. Aliás, se há prova de que a táctica de “matar o monstro à fome” não resulta em Portugal, é a própria história da democracia portuguesa: é que, caso não tenham reparado, o monstro, por muito gordo que seja, e por muito gordo que esteja a ficar, está a morrer à fome. Há anos que as receitas estão abaixo das despesas, e o resultado não tem sido o de obrigar os Governos a cortar a despesa, antes pelo contrário, esta tem subido, tal como os impostos, que no entanto, nunca são suficientes para evitar a criação de défice.

Para se demarcar verdadeiramente de José Sócrates, Manuela Ferreira Leite deveria dar conta destes raciocínios invertidos e posicionar o PSD como partido que defende um esvaziamento do Estado, com o consequente enriquecimento dos trabalhadores (nomeadamente através de uma redução de impostos). O problema é que essa demarcação talvez fosse ainda mais nociva para os interesses do PSD (afinal o que se espera de um partido designado como social-democrata?), dada a insignificância do liberalismo (não o de pacotilha, como o de Passos Coelho) em Portugal. E isso é visível numa sondagem que o Expresso publicou no passado sábado: relativamente ao CDS-PP, a grande maioria dos eleitores prefere que seja um partido de «direita» e apenas 7% o quer liberal.

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  • Comentários (2)
  1. Não me parece que a maioria dos eleitores saiba, sequer, o significado de “liberal”.

  2. Ou de “Direita”, ou seja lá o que for, já agora…

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