Fenprof

A Fenprof tem uma nova proposta para a avaliação dos professores. A outra tinha uma página apenas; esta tem 25. Mantém-se a auto-avaliação e a co-avaliação (porque a avaliação deve partir do próprio avaliado e todos os critérios e vectores de avaliação têm de ser controlados pelo avaliado), declara-se contra qualquer tipo de quantificação do desempenho docente (por homogeneizar a diversidade do mapa escolar descontextualizá-lo*) e refere que quanto maior a interferência da Avaliação do Desempenho na Progressão da Carreira mais o modelo de avaliação deixa de o ser para se aproximar de um modelo de gestão de quadros.

Desde logo a escala avaliativa está enviesada. As suas três posições não estão equitativamente distribuídas: insuficiente, bom e muito bom, em vez de, por exemplo, infuciente, razoável e bom. Pressupõe-se que os professores ou são maus ou bons ou excelentes. Não há professores medianos, assim como não há professores muito maus, mas há os bons e os muito bons.

No caso dos professores vinculados: Insuficiente – Manutenção do docente na escala de progressão em que se situava. Pode solicitar nova avaliação a qualquer momento e, caso obtenha pelo menos bom nessa avaliação, subirá de escalão recuperando os benefícios perdidos após a avaliação anterior; Bom – Mínimo para progredir na carreira; Muito bom – Para além de progredir na carreira, recebe um suplemento de mais 50% da diferenciação de escalas de progressão.

No caso dos professores contratados: Insuficiente – O tempo de serviço com insuficiente não será contabilizado, a não ser para efeitos de concurso; Bom – O tempo de serviço é plenamente contabilizado; Muito bom – Permite ao avaliado que, após ter entrado na carreira, possa suprimir o tempo de entrosamento e candidatar-se a diferenciação através de nova avaliação.

* É este tipo de lógica que, ao pretender eliminar qualquer possibilidade de quantificação (mesmo que inexacta, ela é essencial para uma análise séria), também costuma relativizar os dados da OCDE que colocam a educação portuguesa em antepenúltimo (só acima da Turquia e do México, se não me engano). Ninguém gosta de contribuir para o fracasso, de ser parte de um falhanço colectivo.
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