A festa do PS

Manuela Ferreira Leite levanta duas questões interessantes. A primeira, tem a ver com a classificação dada ao Congresso socialista: uma festa, de acordo com a líder do PSD. Será correcto apelidar um evento que pretende discutir as linhas ideológicas e o rumo político do partido no poder como sendo uma festa?

Apesar de os nossos congressos se assemelharem cada vez mais a bailes de finalistas do liceu, a verdade é que continuam a ser dos poucos sítios onde se discute política e onde se consegue perceber alguma coias ao nível da orientação ideológica e da posição dentro de alguns partidos. Também, são os locais que favorecem a crítica e oposição interna, dando a cada militante tempo de antena para expor a sua posição.

Por isso, será legítimo que a Nelinha diga que o Congresso se trata de uma festa socialista? Isto, claro, dando o desconto natural de nesta altura o PS se assemelhar a tudo menos a um partido onde se discuta o que quer que seja.

A outra interrogação levantada pela líder laranja é bem mais premente. Sócrates vai ao congresso para ser aclamado. Talvez diga quem vai ser o cabeça de lista às Europeias e irá apresentar a nova direcção do partido. Tal como ele gosta, Sócrates vai decidir tudo sozinho – o PS assim o quis. No entanto, ir ao congresso implica que o nosso Primeiro-ministro não esteja na Cimeira Europeia.

Na reunião de líderes da Europa vai estar em cima da mesa a crise e uma série de respostas e soluções conjuntas à mesma. Todos os chefes-de-estado vão lá estar menos o nosso, que fica a encerrar as festividades socialistas.

Não sendo um encontro de vida ou morte, nem algo que tenha forçosamente de ser agendado para aquela data, não se percebe a insistência de Sócrates em preterir a Cimeira Europeia pelo Congresso do PS. Não faz sentido e é negativo para a imagem do país.

Objectivamente, Sócrates colocou à frente dos interesses do país os seus próprios interesses e a sua vontade de protagonismo. Tal como o Simão nos tempos do Benfica, Sócrates é grande cá e entre os camaradas socialistas. Lá fora é apenas o PM elegante do país à beira mar plantado. E, pelo que parece, Sócrates prefere ser grande. Grande entre os pequenos e aclamado entre os idiotas – leia-se, os militantes socialistas.

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  • Comentários (1)
  1. Concordo, em pleno, com o texto. No entanto, acrescento uns pontos.

    Também, são os locais que favorecem a crítica e oposição interna, dando a cada militante tempo de antena para expor a sua posição.

    Sem dúvida, quando esses militantes são mediáticos ou importantes. As outras intervenções são relegadas para segundo plano, a horas tardias e com salas vazias. (Tirando a excepção do Tino de Rans, claro.)

    Objectivamente, Sócrates colocou à frente dos interesses do país os seus próprios interesses e a sua vontade de protagonismo.

    Quem lê, neste contexto, esta frase, fica convencido que será a primeira vez que o faz. Não tem sido, no entanto, o seu modus operandi desde que iniciou o exercício das suas funções?

    Por fim, a ironia que faltava a este comentário. Para quê reunir com os líderes europeus quando o seu grande aliado, esse democrata Hugo Chavez, foi convidado para estar presente no congresso? Se é para reunir com alguém, que seja com quem tem petróleo. Além disso, um líder europeu de hoje poderá não o ser já amanhã. O que não se passa com Chavez.

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