Voltando à democracia, que é uma rapariga de Felgueiras

A propósito da morte de Nino Vieira, pensei em voltar a levantar a questão da qualidade das democracias. Nomeadamente, a qualidade das democracias africanas e o nível de respeito pelas instituições democraticamente eleitas.

Aliás, esta poderia ser uma boa altura para dissecar aqueles que são os problemas democráticos na Guiné, mas que são também extensíveis a grande parte do território africano onde as fachadas democráticas vão proliferando.

Mas, isso pareceu-me coisa para levantar muita poeira e, mais uma vez, não conduzir a lado nenhum. Pelo menos, a algum lado onde já não tenhamos ido em anteriores discussões.

Assim, e ainda sobre o incidente na Guiné, fica apenas a minha nota para a tortura de que terá sido alvo o falecido Presidente da República da Guiné-Bissau. Ao que refere um jornal angolano, citado pelo Público, Nino Vieira terá sido degolado ou decapitado ali, na cozinha da sua casa. E, por detrás do ataque estará a tribo balanta, uma etnia que guardava um certo rancor a Nino Vieira.

Esta notícia a juntar aos relatos da televisão, onde as imagens horríveis da casa destruída e cravada por balas em quase todas as divisórias vai abrindo os telejornais, deixam-nos uma impressão da violência a que terá sido sujeito Nino Vieira nos últimos momentos da sua vida, com a mulher e outros familiares ali perto a verem e ouvirem tudo.

Simplesmente horrível. Porventura, mais horrível do que isso apenas o facto de não haver ainda suspeitos nem detidos pela prática deste crime. E, a fazer fé nas notícias vindas de Bissau, assim vai ficar. Um crime impune.

Agora, resta aos guineenses prosseguirem na construção de um edifício democrático sob um já vasto rol de impunidades. Tenho dúvidas que o consigam.

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  • Comentários (3)
  1. É de mim ou o senhor Nino Vieira também era um sacanita de meia-tijela? Fica a dúvida.

  2. Acho que a questão aqui não devia ser bem se o homem era, ou não, um “sacanita de meia-tigela”. A questão devia ser o assassinato de um Presidente da República eleito por voto popular e pela – aparente – ausência de consequências desse mesmo acto.

    Também posso dizer que o Pinto da Costa é um ladrão do piorio. Mas, daí a desejar o homem morto – ou a perdoar quem o matasse – vai uma longa distância.

  3. Há aqui confusão. Eu não desejei o homem morto. Aliás, mal tinha ouvido falar dele antes de lhe tratarem da saúde. Porém, reparei bem no tempo em que ele esteve no governo. Depois ouvi a designação de narco-estado. A minha pergunta é se ele não ajudou a manter as coisas no estado em que estão. Como diz o povo, quem brinca com o fogo queima-se.

    Ter um chefe de Estado assassinado seria intolerável num país civilizado. A Guiné está muito longe de o ser. Talvez, para a população do país, pouco lhes importa quem é que manda.

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